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Ato I (Melodrama)

Pelo ar que sopra em meu rosto, a água que escorre de meus olhos, o fogo que arde em meu peito, a terra sobre a qual me ajoelho. Pela vida que movimenta meu corpo, Pela alma que anima a matéria, Pela minha ancestralidade E por minha descendência. Sob o testemunho do sagrado e o meu próprio, Eu hoje te expulso do meu peito, da minha vida, e das minhas emoções. Eu expurgo toda e qualquer lembrança que ainda nos mantém conectados. Não mais aceito ser subjugada a você, não mais aceito ser aquela que ama demais. Não mais aceito a fragilidade, a vulnerabilidade, o amor que tudo suporta. O fato é que eu jamais te amei com toda essa intensidade. Sou uma boa mentirosa, mas não ouso mentir para mim outra vez. Me apegar a cada palavra, cada recordação, cada pequena ação, é jamais te deixar ir embora. E neste momento, juro com a força que de mim emana, que me liberto dessa condição. Não sou propriedade sua, meu corpo e meu coração não tem donos e não estão à venda....

21/04/2020

não sei ao certo o que me acomete mas ao certo, resumiria em medo o medo de perder de vez o que eu ainda estava buscando o medo de fracassar com o passado que finaliza me sinto completamente perdida sozinha e quanto mais só me sinto mais sei que isso é mentira que conto a mim mesma... mas por que insisto em ser mentirosa? por que meu corpo, minhas sensações, meus pensamentos, me enganam dessa forma? por hoje eu quero chorar apenas chorar respeitar que não quero fazer nada sobre isso que não quero solucionar nada disso que não quero olhar para nada o que ficou eu quero apenas chorar com a sensação de que falhei miseravelmente e sistematicamente se vivi toda a minha vida dessa forma sendo essa pessoa com esse medo estrutural de falhar eu quero apenas chorar sem pensar nas consequências sem pensar no que poderia ser feito hoje me vejo tentando trilhar essa caminho que há tempos abandonei e que parece tão ameaçador meu coração implora "não nos jogue...

MELODRAMA

MELODRAMA Olho uma última vez para a plateia Performando minha antiga dor. Em cada salto, cada retirada Cada movimento que já conheço tão bem. Eu costumava ser tudo isso. Cada salto, espacate, giros. Dancei até que minha plateia se esvaziasse Danço uma última vez para as cadeiras vazias Para as luzes apagadas E a música desligada. Em minha mente, revivo toda aquela sensação Do primeiro espetáculo. Minha primeira dança, tão aplaudida Tão sentida. Por muito tempo foi o que me definiu, Mas não caibo mais nessas velhas definições. Carrego em mim um infinito de possibilidades. Cada pedaço ardendo, desejando vir à vida. Mas eu preciso me despedir da minha última dança. Foi a dança da minha vida, Me ajudou a me manter viva. Mas agora me retiro. Meu novo ser me aguarda Me via como um quadro branco, Exatamente como me vejo agora. Com a possibilidade de ser qualquer coisa. Penso sobre as cores, as formas, As emoções que em mim ganha...

Desejo pelos antigos medos

Julguei que me privava Que fechei minhas janelas Que impedi a chegada do Sol Que não atendi ao chamado na porta da frente... Quando respirei fundo O ar machucando o meu peito Abri a porta com toda a força desse sentimento E não havia ninguém lá... Corri para as janelas Arranquei as cortinas empoeiradas E chorei quando não encontrei o Sol Mas uma névoa que encobria a paisagem Eu me privei tanto por medo do Sol me ferir Do vento ser tempestade que me tiraria do lugar Tive tanto medo da vulnerabilidade Que agora choro pela inexistência do meu medo As janelas estão abertas, Mas é o frio quem invade e me fere a face. Minha porta está aberta, Mas não há ninguém do outro lado Quem me encara é o meu próprio vazio Que joga cara ou coroa com aquilo que dói Cada face são os opostos do mesmo sentir E buscando as memórias, eu me recordo... Eu consenti!

Cansaço (e um pedido por trégua)

Entregue às minhas próprias limitações Aos contornos externos a mim E que sinalizam intenso conflito Eu me pergunto: qual é o motivo por trás de tudo isso? A cada nova lágrima, A cada novo pensar e pensar sobre Que me aprisionam em um inferno particular Eu me pergunto: qual é o motivo por trás de tudo isso? Presa em um looping temporal Que me aprisiona à mesma situação Com a chave dourada em minhas mãos Eu me pergunto: qual é o motivo por trás de tudo isso? Quando minha alma implora E meu ser sente, intensamente E eu me perco entre o real e o ilusório Eu me pergunto: qual é o motivo por trás de tudo isso? Os preâmbulos de um novo tempo Trouxeram um ar de esperança Há tempos esquecido, porém ilusório E eu me pergunto: qual o motivo de eu ainda fazer isso comigo?

verbo "passar"

Por que insisto em manter controle Sobre aquilo que não posso controlar? Por quanto tempo me enganei? Me prendi nessa tola ilusão da neutralidade. O quanto eu me privei? E tudo isto o que perdi? Poderia ter sido eu? A indiferença poderia ter sido presença? E a cobrança, agora interna, Grita em minha cabeça o não vivido, O que poderia ter sido Mas parece não reconhecer que o passado também foi, em certa medida. E passou. - isso também é um experienciar da vida.

Afetações

Mais um afeto que me atravessa Afeto que poderia transformar-se Modificar a mim, ao que sou Modificar ao outro, ao que se é Mas como todo afeto que se preze Escapa pela terceira via, Pelo inesperado. Não poderia prever estar assim Aqui, a partir de onde me posiciono, Afetada de tal forma... E que turbulento reconhecer Que não há nada nessa vida Sob o meu controle ilusório.