Ato I (Melodrama)

Pelo ar que sopra em meu rosto,
a água que escorre de meus olhos,
o fogo que arde em meu peito,
a terra sobre a qual me ajoelho.
Pela vida que movimenta meu corpo,
Pela alma que anima a matéria,
Pela minha ancestralidade
E por minha descendência.
Sob o testemunho do sagrado
e o meu próprio,
Eu hoje te expulso do meu peito,
da minha vida,
e das minhas emoções.
Eu expurgo toda e qualquer lembrança
que ainda nos mantém conectados.
Não mais aceito ser subjugada a você,
não mais aceito ser aquela que ama demais.
Não mais aceito a fragilidade,
a vulnerabilidade,
o amor que tudo suporta.
O fato é que eu jamais te amei
com toda essa intensidade.
Sou uma boa mentirosa,
mas não ouso mentir para mim outra vez.
Me apegar a cada palavra,
cada recordação,
cada pequena ação,
é jamais te deixar ir embora.
E neste momento,
juro com a força que de mim emana,
que me liberto dessa condição.
Não sou propriedade sua,
meu corpo e meu coração não tem donos
e não estão à venda.
Eu te expulso com todas as suas mentiras,
manipulações,
jogos de poder.
Te expulso em sua pequenez
que necessitou que em mim eu me encolhesse
para não sentir-se tão insignificante.
Neste momento meus olhos são espelhos
que refletem de volta teus feitiços.
E eu decreto que, quando em mim pensar,
não mais me encontrará,
nem mesmo em suas fantasias.
Pois o espelho do qual meus olhos são feitos,
não mais refletem o calor de meu peito,
mas a sua própria existência medíocre.
E ao cumprir a promessa que me fez,
de cada mulher que jurou amar verdadeiramente
como pagamento por ter me feito sofrer,
você se lembrará de quem é.
Lembrará do seu verdadeiro tamanho
e do que você de fato significa.
Espero que você desperte para a vida,
que cresça,
torne-se um homem.
Mas neste juramento eu lhe garanto,
não mais servirei de muleta para a sua ascensão.

Aprenda a andar por suas próprias pernas.

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