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Mostrando postagens de julho, 2020

Ato I (Melodrama)

Pelo ar que sopra em meu rosto, a água que escorre de meus olhos, o fogo que arde em meu peito, a terra sobre a qual me ajoelho. Pela vida que movimenta meu corpo, Pela alma que anima a matéria, Pela minha ancestralidade E por minha descendência. Sob o testemunho do sagrado e o meu próprio, Eu hoje te expulso do meu peito, da minha vida, e das minhas emoções. Eu expurgo toda e qualquer lembrança que ainda nos mantém conectados. Não mais aceito ser subjugada a você, não mais aceito ser aquela que ama demais. Não mais aceito a fragilidade, a vulnerabilidade, o amor que tudo suporta. O fato é que eu jamais te amei com toda essa intensidade. Sou uma boa mentirosa, mas não ouso mentir para mim outra vez. Me apegar a cada palavra, cada recordação, cada pequena ação, é jamais te deixar ir embora. E neste momento, juro com a força que de mim emana, que me liberto dessa condição. Não sou propriedade sua, meu corpo e meu coração não tem donos e não estão à venda....

21/04/2020

não sei ao certo o que me acomete mas ao certo, resumiria em medo o medo de perder de vez o que eu ainda estava buscando o medo de fracassar com o passado que finaliza me sinto completamente perdida sozinha e quanto mais só me sinto mais sei que isso é mentira que conto a mim mesma... mas por que insisto em ser mentirosa? por que meu corpo, minhas sensações, meus pensamentos, me enganam dessa forma? por hoje eu quero chorar apenas chorar respeitar que não quero fazer nada sobre isso que não quero solucionar nada disso que não quero olhar para nada o que ficou eu quero apenas chorar com a sensação de que falhei miseravelmente e sistematicamente se vivi toda a minha vida dessa forma sendo essa pessoa com esse medo estrutural de falhar eu quero apenas chorar sem pensar nas consequências sem pensar no que poderia ser feito hoje me vejo tentando trilhar essa caminho que há tempos abandonei e que parece tão ameaçador meu coração implora "não nos jogue...

MELODRAMA

MELODRAMA Olho uma última vez para a plateia Performando minha antiga dor. Em cada salto, cada retirada Cada movimento que já conheço tão bem. Eu costumava ser tudo isso. Cada salto, espacate, giros. Dancei até que minha plateia se esvaziasse Danço uma última vez para as cadeiras vazias Para as luzes apagadas E a música desligada. Em minha mente, revivo toda aquela sensação Do primeiro espetáculo. Minha primeira dança, tão aplaudida Tão sentida. Por muito tempo foi o que me definiu, Mas não caibo mais nessas velhas definições. Carrego em mim um infinito de possibilidades. Cada pedaço ardendo, desejando vir à vida. Mas eu preciso me despedir da minha última dança. Foi a dança da minha vida, Me ajudou a me manter viva. Mas agora me retiro. Meu novo ser me aguarda Me via como um quadro branco, Exatamente como me vejo agora. Com a possibilidade de ser qualquer coisa. Penso sobre as cores, as formas, As emoções que em mim ganha...